A última chance do controverso Josh Barnett

Alexandre Matos

15 de junho de 2011

Meu histórico com Josh Barnett não é lá dos mais animadores. O ex-campeão do UFC me traumatizou algumas vezes. Mas os problemas do “Assassino com cara de bebê” foram bem maiores durante sua caminhada no MMA. Neste sábado ele volta aos EUA para enfrentar Brett Rogers na estreia de ambos no torneio dos pesados do Strikeforce, quando a montanha-russa da vida dele mais uma vez parece atingir um ponto alto.

Barnett era uma figura bem explorada nos primórdios do MMA. Com 1,91m e naipe de ator de filmes de ação, chegou ao UFC em 2000, invicto em 9 lutas. Venceu Gan McGee no UFC 28 e foi nocauteado por Pedro Rizzo no UFC 30. Recuperou-se passando por Semmy Schilt no UFC 32 e por Bobby Hoffman no UFC 34. Após este combate, Barnett foi apanhado pela primeira vez num teste antidoping. Não chegou a ser suspenso porque tratava-se apenas de uma pesquisa numa época de implantação das Regras Unificadas de Conduta do MMA. Teve então sua primeira chance de ouro na carreira: o title shot contra o então campeão dos pesados Randy Couture em março de 2002. O nocaute técnico no segundo round no UFC 36 transformou Josh no mais jovem campeão do UFC até então.

A primeira suspensão de Barnett por doping e mudança para o Japão

Mas o teto de vidro do rapaz era fino. Já com o controle antidoping a pleno vapor, o teste contra Couture novamente deu resultado positivo, desta vez para nandrolona, fluoximesterona e boldenona (esteroide para cavalos). Coisa boba. Se o primeiro exame apenas rendeu uma embaraçosa chamada de atenção, a segunda forçou a Comissão Atlética de Nevada a cassar seu cinturão e a aplicar um ano de suspensão no lutador.

Lá foi ele tomar o caminho tradicional para quem é suspenso por doping nos EUA: lutar no Japão. A Terra do Sol Nascente até hoje não aplica testes – e acompanhou de perto a transformação física de Alistair Overeem. Depois de passar pelo telecatch japonês, Pancrase (onde conquistou o cinturão absoluto) e no evento de Antonio Inoki, Barnett estreou no PRIDE 28 contra Mirko Cro Cop. Fraturou o ombro logo no começo da luta e ficou 6 meses de molho. Um ano depois teve outra chance contra o croata e novamente saiu derrotado, desta vez por decisão, no PRIDE 30. Venceu mais uma luta e foi convocado para o GP Absoluto de 2006. Era a segunda grande chance no MMA.

Venceu o irmão de Fedor Emelianenko, Aleksander, na primeira rodada, no PRIDE Total Elimination Absolute 2006. Passou por Mark Hunt nas quartas-de-final, no PRIDE Critical Countdown Absolute 2006, classificando-se assim para o PRIDE Final Conflict Absolute, evento que contemplaria na mesma noite as duas semifinais e a finalíssima do GP. De um lado da chave, Barnett contra Rodrigo Minotauro. Do outro, Cro Cop contra Wanderlei Silva. O Brasil se preparou para ver mais uma reedição da disputa Brazilian Top Team x Chute Boxe. Fiquei acordado a madrugada toda. Rodrigo foi derrotado por decisão dividida, depois de uma atuação irreconhecível. Wand acabou nocauteado por Filipović. Foi a primeira vez que Barnett me deixou revoltado. Na grande final, o croata venceu o americano e conquistou o título absoluto do evento.

Fim do PRIDE, volta aos EUA e… nova suspensão

Josh foi derrotado por Minotauro numa revanche no PRIDE Shockwave 2006, que aconteceu no último dia de 2006. O PRIDE faliu, foi comprado pelo UFC e alguns atletas tomaram o rumo dos EUA. Barnett resolveu ficar no Japão, longe do controle de doping. Lutou e venceu duas vezes pelo Sengoku, até que foi seduzido pelos dólares da Affliction – empresa que havia sido banida do UFC e que resolveu criar seu próprio evento, o Affliction Entertainment – e voltou à terra natal. Teve a revanche contra Pedro Rizzo no Affliction: Banned, nocauteando-o no segundo round. Passou por Gilbert Yvel no Affliction: Day of Reckoning. Com cards recheados de estrelas que esnobaram o UFC, o Affliction crescia, em conjunto com Oscar De La Hoya e Donald Trump.

A terceira edição do novo evento prometia. Barnett estava escalado para enfrentar o amigo Fedor no Affliction: Trilogy, numa luta que tinha tudo para ser excelente. Perdi um tempo escrevendo um artigo pré-evento. Como tratava-se do duelo entre os dois melhores pesados dos rankings na ocasião, comecei a escrever com antecedência. Mas Josh foi pego pela terceira vez no antidoping (único atleta da história do MMA a ser testado positivamente em três oportunidades), desta vez por drostanolona, e a luta foi cancelada, mesmo fim que teve o evento. O barulho foi tamanho que culminou na falência da Affliction Entertainment. E meu trabalho foi jogado no lixo. Pela segunda vez Barnett me irritou.

A Comissão Atlética da Califórnia (CSAC) cassou sua licença de lutador. O que fez Barnett então? Voltou para o outro lado do mundo, claro. Submeteu Mighty Mo no DREAM.13 e nocauteou Gerônimo Mondragon no Impact FC 1. Até que novamente ele se rendeu às bolsas americanas e aceitou o convite para integrar o torneio dos pesados do Strikeforce. Ele assinou com o evento em setembro de 2010.

De volta aos EUA para outro recomeço

Isso quer dizer que finalmente Barnett voltará a lutar nos EUA? Não seria assim tão fácil, né? O processo de relicenciamento na CSAC ainda não terminou. Até no show (não comparecimento) em audiência Barnett aplicou. Vários adiamentos se sucederam, até que marcaram a data de 20 de junho de 2011 para definir o futuro dele. O problema é que o Strkeforce agendou sua luta contra Brett Rogers para dois dias antes. Eu já ia novamente começar a rascunhar o pré-evento quando me lembrei de toda esta saga.

Mas parece que está tudo resolvido, pelo menos parcialmente. A Comissão Atlética do Texas liberou Barnett para lutar no sábado. Prestes a completar 34 anos, outra suspensão – e o colapso do MMA japonês – poderia significar o fim de sua carreira.

Quem escreve

Alexandre Matos

Editor-chefe do MMA Brasil, responsável pela idealização e construção do site.

Alexandre Matos já publicou 1415 matérias no MMA Brasil

25 Comentários em "A última chance do controverso Josh Barnett"

  1. Danilo Lima disse:

    Que carreira complicada… mesmo assim acho q ele ganha do Brett Rogers e passa pela semi também e chega a final.. vamos ver no q vai da…

    • O sorteio beneficiou o Babyface né? Rogers e Kharitonov é mole perto de Overeem, Fedor, Pezão e Werdum.

      • Peixoto disse:

        Concordo que o caminho ficou mais fácil pra ele, mas acredito que o chaveamento foi o melhor que o evento poderia fazer no sentido de alguém ficar com o cinturão do Overeem.
        Acho que a final é Barnett e Pezão…

        • Mas o Strikeforce disse que o cinturão do Overeem não está em jogo no torneio.

          • Danilo Lima disse:

            também axo q a final da Barnett e Pezão e o Pezão levando esse cinturão apesar dele não ser o mais tecnico e tal ele tem muita raça e muita resisténcia mostrou isso contra o Fedor..

  2. Fernando Torres disse:

    Babyface vai faze a final do GP contra o Overeem, agora quem vence essa não sei dizer…
    pra mim apesar de toda as polemicas na carreira, Barnett é top 5 HW all time!

    e digo mais, talvez Barnett e principalmente Overeem apresentam perigo real pro campeão do UFC Cain Velasquez…

    • Fernando Torres disse:

      para mim HW ranking:

      1-Fedor Emelianenko
      2-Randy Coulture
      3-Minotauro
      4-Cro Cop
      5-Josh Barnett

    • edu machado disse:

      pezão e cigano oferecem ainda mais perigo ao velasquez, vai por mim

      • Fernando Torres disse:

        não acho, pra mim na trocação Overeem é superior a qualquer um na trocação, inclusive superior ao próprio Velasquez!!

        quanto ao Barnett acho ele mais lutador q o os 2 que voce citou…

  3. MARCELO SANTOS disse:

    Fica uma dúvida essas comissões atléticas nos EUA não estão filiadas a WADA (associação mudial antidping)?

    Porque quando um atleta é flagrado por duas vezes no antidoping ele é banido do esporte.

    Fica aí a minha dúvida se alguém souber a reposta agradeço.

    Um abraço a todos.

    • Não. A WADA é associada aos comitês nacionais. As comissões atléticas americanas são estaduais e podem ou não usar o regulamento da WADA.

      Nos EUA a afiliada é a USADA (United States Anti-Doping Agency).

  4. Nando disse:

    Vc mencionou o Affliction, quando comecei ver MMA foi quando o evente estava se esvaindo.

    Queria saber a história toda. faça um post sobre isso.

  5. [...] A última chance do controverso Josh Barnett [...]

  6. Rafael Friall disse:

    Bom sou um dos unicos q acha q Rogers vai nocautear Barnett. Esse lado da chave não é tão complicado como o lado do Werdum.
    Pra mim o SF tava com a ideia de ver Fedor e Arlovski na final, e acho q dará mesmo Overeem x Kharitanov para uma revanche na final desse GP q qd anunciado me deixou muito feliz mas q depois das noticias dos ultimos meses fez com que esfriasse toda minha empolgação.

  7. edu machado disse:

    49 vs sasquatch brasileiro

    e na superluta que deve rolar dps, cigano vs pezão

    • edu machado disse:

      coletiva do UFC rio, o forest griffin falou pro okami não fazer igual a ele na luta contra o anderson, e to morrendo de rir disso até agora

      • Edu, quem fez esta pergunta fui eu…

        • Philipy disse:

          Eu tava assistindo e quando ouvi ”Alexandre do mma brasil” e depois a pergunta… ri muito, e soltei bah que cara de pau esse alexandre, trollando o griffin ao vivo lol.
          Vai ter algum post sobre a coletiva?

        • edu machado disse:

          tava lá??? ahsuahsuahsaushu tinha k ser. o audio tava ruim quando ouvi ai nem peguei a parte que falaram seu nome

          mas…… po podia jogar um papinho pra ver se o pessoal do panico parava de passar dos limites

    • Fernando disse:

      49 passa mesmo!
      Eu acredito em 49 vs Werdum

      E se essa final realmente acontecer teria chance de mais um upset gigante no evento com o mercenário batendo o Werdum.

  8. Felipe Freitas disse:

    Bolão: Qual será a droga que ele vai usar dessa vez?

    Vou falar a real, tô torcendo pra ele vencer

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