Robert Drysdale cai em segundo antidoping e deixa semelhanças com casos de Belfort e Sonnen

Robert Drysdale cai em segundo antidoping e deixa semelhanças com casos de Belfort e Sonnen
MMA

Apesar de só ter feito uma luta pelo UFC, Robert Drysdale já foi flagrado em dois exames antidoping. Seus casos guardam perigosas semelhanças com o que aconteceu com Chael Sonnen e Vitor Belfort.

O meio-pesado Robert Drysdale só fez uma luta no UFC, mas conseguiu cair em dois exames antidoping. Depois de ter a licença para lutar no UFC 167 negada, o americano de raízes brasileiras voltou a ser flagrado depois de sua vitória de estreia no The Ultimate Fighter 19 Finale, no último dia 6 de julho.

Robert Drysdale em ação no TUF 19 Finale (Foto: Josh Hedges/ZUFFA LLC)

Robert Drysdale em ação no TUF 19 Finale (Foto: Josh Hedges/ZUFFA LLC)

Drysdale foi pego nas duas ocasiões pela Comissão Atlética de Nevada (NAC) com elevada razão testosterona para epitestosterona (T/E), o que indica uma quantidade muito elevada de testosterona exógena (não produzida pelo corpo). Quando solicitou a licença para lutar no UFC 167, Drysdale estava com a taxa de T/E em 19,4:1, quando o limite aceitável pela NAC é de 6:1. No TUF 19 Finale, o lutador apresentou taxa de 12:1. A informação deste doping foi fornecida pelo procurador-geral adjunto de Nevada Christopher Eccles ao site MMAjunkie. O UFC emitiu um comunicado padrão sobre os casos de Drysdale e de Kevin Casey, pego por drostanolona no mesmo evento.

Nascido em Provo, no estado americano de Utah, Drysdale é filho de mãe brasileira, veio morar no país aos seis anos e só voltou aos Estados Unidos para fazer faculdade. Na arte suave, Robert foi campeão mundial em 2005 e vice em 2006 e 2007, sempre na categoria até 94 quilos. Em 2007, ele ainda foi campeão absoluto no ADCC e bronze na mesma categoria no Campeonato Mundial de quimono. Entre seus alunos famosos destacam-se Frank Mir, Randy Couture e Forrest Griffin.

O caso de Drysdale deixa semelhanças perigosas com o que já passaram Chael Sonnen e Vitor Belfort com as comissões da Califórnia e de Nevada, respectivamente, e serve de alerta para ocasiões futuras, inclusive para a luta do Fenômeno no UFC 181 contra Chris Weidman.

Elevada razão T/E foi o mesmo problema passado por Sonnen na derrota para Anderson Silva no UFC 117. Na ocasião, o ex-desafiante dos médios alegou estar fazendo tratamento de reposição de testosterona (TRT) e que não tinha avisado à Comissão Atlética do Estado da Califórnia (CSAC), que sancionou o evento. A CSAC então considerou a alegação de Sonnen e diminuiu a punição de um ano para seis meses, mas não considerou o caso como doping (a punição se deu por omissão de informação).

A justificativa dada por Drysdale para o primeiro antidoping tem traços em comum com as defesas de Sonnen no UFC 117 e de Belfort na última semana, quando teve sua licença para lutar em Nevada autorizada mesmo tendo sido flagrado num exame antidoping em fevereiro:

Robert Drysdale, para o MMAjunkie, um dia depois de lutar no TUF 19 Finale

“Eu não tenho que ser acusado de desonestidade porque não houve desonestidade de minha parte. Eu devo ser acusado de não entender o processo.

“Com toda a honestidade, eu estava (fazendo o tratamento) por pouco mais de um mês, então não chegou a fazer grande diferença para mim. Estou acostumado a não fazer (o tratamento), então está tudo certo, estou bem. Eu ainda não fazia há tempo suficiente para sentir muito efeito, para ser honesto. Minha culpa, mais do que qualquer coisa, foi por não ter entendido o processo.”

Assim como fizera Sonnen em 2010, Drysdale botou na conta de um TRT não informado a elevada razão T/E que seu exame apontou. Assim como acontecera com Sonnen, Drysdale só foi liberado a lutar seis meses depois e não teve doping configurado (na primeira ocorrência).

Assim como alegou Belfort na última semana, Drysdale disse que não foi desonesto em momento algum e que foi vítima apenas de mau entendimento. Na época do UFC 167, Drysdale apresentou nível de testosterona livre abaixo da extensão normal e os demais exames estavam em concordância com as regras. Ainda assim, a NAC não concedeu licença para uso de TRT (que era liberado à época), tampouco forneceu licença para Drysdale lutar no evento comemorativo dos 20 anos do UFC. Cabe dizer que a NAC era chefiada à época por Keith Kizer, que tem pouca tolerância para este tipo de caso – Belfort foi julgado já com a NAC sob o comando de Bob Bennett, com muito melhor trânsito no UFC que seu antecessor e, pelo visto, mais tolerante também.

Mesmo alegando boa-fé, Drysdale teve uma segunda chance e voltou a falhar pelo mesmo motivo. Uma coisa é certa: a NAC deve estar torcendo para que Belfort honre a licença que lhe foi concedida e não siga a reincidência do americano-brasileiro, para que “a comissão não seja envergonhada”, de acordo com palavras do próprio comissário Anthony Marnell na audiência da semana passada.

  • http://@juniorGuitar Junior

    Sonnen tava tão turbinado que até no Pride os Japa não ia deixar ele lutar, heheheeee

    • http://www.mmabrasil.com.br Alexandre Matos

      Bom, se você leu o texto, deve ter percebido que eu falei do primeiro problema do Sonnen, não deste último.

  • Edu Machado

    drysdale, você é um bobão

    by canela de titânio