Viacom anuncia troca na presidência do Bellator: sai Bjorn Rebney, entra o ex-Strikeforce Scott Coker

Viacom anuncia troca na presidência do Bellator: sai Bjorn Rebney, entra o ex-Strikeforce Scott Coker
MMA

O motivo da demissão foram as opiniões divergentes entre a empresa Viacom, principal dona do Bellator, e Bjorn Rebney, fundador da organização. Scott Coker, ex-Strikeforce, assume o lugar do dirigente californiano.

Nesta quarta-feira foi anunciado pela Viacom, sócia majoritária do Bellator, que Bjorn Rebney não é mais o diretor executivo da segunda principal organização do MMA mundial. Rebney e a Viacom divergiam sobre o rumo que a companhia deveria tomar. O substituto na função será Scott Coker, ex-CEO do Strikeforce.

O anúncio da saída do CEO seria feito ainda nesta semana, mas nesta manhã, o jornalista Josh Gross anunciou que Coker foi contratado pelo Bellator. Pouco tempo depois, a Spike TV, canal de televisão que transmite o Bellator e faz parte do grupo Viacom, anunciou a saída de Bjorn em um comunicado de imprensa.


O californiano Bjorn Rebney fundou o Bellator em 2008 com investimento da Plainfield Asset Management (PAM). O Bellator I aconteceu em abril de 2009. Um dos lutadores do card de estreia foi Eddie Alvarez, uma das maiores estrelas da organização. A primeira temporada foi transmitida pelo ESPN Deportes, canal voltado ao público hispânico nos Estados Unidos.

O Bellator foi obtendo sucesso aos poucos. Um dos motivos – talvez o principal – era o formato de torneios. Para um lutador conseguir uma disputa de cinturão, deveria vencer um torneio eliminatório com mais sete adversários na chave, similar aos GP’s do PRIDE e dos primórdios do UFC (mas o Bellator não promovia torneios em uma só noite).

Bjorn Rebney fundou o Bellator em 2008 e o dirigiu até esta quarta-feira

Bjorn Rebney fundou o Bellator em 2008 e o dirigiu até esta quarta-feira

Na segunda temporada, o Bellator já estava na FOX Sports NET e, na quarta, em 2011, a maior parte da empresa foi comprada pela gigante das telecomunicações Viacom, que levou as lutas para a MTV2, um dos canais do grupo. Com a saída do UFC da Spike TV, na assinatura do contrato com a FOX, também em 2011, foi a vez de o Bellator passar para o canal que abrigou o UFC por muitos anos, inclusive lançando o The Ultimate Fighter. No novo canal, surgiu o Fight Master: Bellator MMA, o reality show para concorrer com o TUF. Com o fim do Strikeforce, em janeiro de 2013, a organização fundada por Bjorn se firmou como a segunda maior organização de MMA do mundo.

Desde que foi para a Spike TV, o Bellator sofreu algumas mudanças nas suas regras. Primeiro, um atleta que disputou o cinturão não precisava mais vencer o torneio para ter uma segunda chance, passando a ter direito à revanche. Com esta regra, a organização fez Michael Chandler vs Eddie Alvarez II, uma das revanches mais aguardadas pelos fãs de MMA. Na semana passada, foi anunciada outra regra em relação aos torneios. Um lutador que conquistou uma edição de torneio não precisará mais participar de novos GP’s para conseguir uma disputa de cinturão. Com a mudança, um vencedor de torneio disputará um cinturão quando o matchmaker considerar que a luta é merecida, assim como acontece em outros eventos de MMA. Na gestão da Viacom também aconteceu o primeiro pay-per-view do Bellator, na edição 120, que contou com Quinton Jackson, o “Rampage”, contra “King” Mo Lawal na luta principal.

Nesta quarta, Rebney divulgou uma nota sobre sua saída da organização em conjunto com Tim Danaher, que ocupava o cargo de presidente no Bellator:

É com muito amargura que eu anuncio que estou deixando a companhia que fundei. Tenho muito orgulho em ter transformado meu sonho em realidade, um negócio de sucesso distribuído pela televisãoo para mais de 140 países, uma pareceria com uma das maiores empresas de entretenimento (Viacom), patrocínios, parceiros e aliados estratégicos ao redor do mundo. Foram maravilhosos oito anos de criação, desenvolvimento e sucesso.

Eu vou sentir falta dos corajosos, fortes e dedicados lutadores que tive o prazer de promover e, igualmente, o trabalho duro e marcante da equipe que virou minha família com o passar dos anos. Viacom, Tim (Danaher, da PAM), e eu temos visões diferentes sobre a direção que o Bellator deve tomar, mas Tim e eu desejamos o melhor para eles.

Scott Coker estava longe do MMA desde que a Zuffa comprou o Strikeforce, fundado por ele em 1985

Scott Coker estava longe do MMA desde que a Zuffa comprou o Strikeforce, fundado por ele em 1985

O substituto de Rebney tem experiência na liderança de uma organização de MMA de grande porte. Scott Coker foi o fundador e CEO do Strikeforce, organização que nasceu em 1985, como um evento de kickboxing, migrando para o MMA em 2006. Coker estava fora do ramo das lutas de artes marciais mistas desde março de 2011, quando a Zuffa, dona do UFC, comprou o Strikeforce e estipulou um contrato de não-competição que se encerrou em março deste ano.

Em seu período à frente do Strikeforce, Coker lançou lutadores que ocupam posições de destaque no UFC como Daniel Cormier, Luke Rockhold, Tim Kennedy, Tarec Saffiedine e Tyron Woodley, além de ter recuperado ou alavancado carreiras como as de Fabricio Werdum, Antonio Pezão, Nick Diaz, Jake Shields e Josh Barnett, sem contar as participações de Alistair Overeem, Andrei Arlovski e outras estrelas. Porém, o principal feito de Coker foi ter mantido contrato com a lenda russa Fedor Emelianenko depois do colapso do Affliction.

Outra informação relevante nesta quarta-feira foi dada por Kevin Kay, CEO da Spike TV, que anunciou também que os torneios do Bellator, principal marca da organização, estão extintos. “Estamos empolgados em ter Scott Coker nos liderando de uma organização baseada em torneios para um modelo mais tradicional, com grandes lutas”, disse Kay. Talvez este seja o principal motivo da saída de Bjorn.

Às 19:00h desta quarta acontecerá uma coletiva de imprensa via telefone sobre o assunto.

O que achou dessa mudança de CEO e do fim dos torneios? Conte para nós nos comentários!

  • http://www.twitter.com/diocoh Rei Jaffe Joffer

    Acho que a troca foi acertada, pois o Coker tem mais experiência no ramo, mas não concordo com o fim dos torneios. Era o que mais me atraia no Bellator. Eu penso que a melhor maneira era reformar os torneios para algo mais parecido com uma ideia sugerida aqui mesmo no MMA BRASIL. Torneios com mais espaço entre as lutas, pelo bem dos próprios atletas e da audiência.

    • http://www.mmabrasil.com.br/equipe/alexandre-matos Alexandre Matos

      É sempre bom lembrar que o Scott Coker faliu o Strikeforce. Não chegou a falir tecnicamente, mas afastou os investidores e se viu obrigado a vender. Se a Viacom controlar o Coker, pode dar certo. E também acho uma pena acabar com os torneios.

  • Diego Cavera

    Fiquei um pouco cabreiro com isso, o Rebney andou fazendo umas cagadas em relação a dar revanche imediata pra um, desafiante muito tempo de molho, ninguem sabe que fim deu o Dave Jansen e pior ainda o Frodo que venceu o torneio dos penas, mas o grande diferencial sempre foi os torneios, um pouco de radicalismo abdicar disso.Gosto do Coker, tenho muito respeito pelo que ele fez no Strikeforce, um grande evento, gandes estrelas, lutas maravilhosas, mas fico um pouco receoso, até onde eu sei ele tem uma boa relação com o “Grana White”, capaz de ele facilitar umas negociações futuras, claro que é bom ter os melhores no mesmo lugar, mas monopólio nunca é bom pro esporte em geral, espero que não role zuffada.

    • http://www.mmabrasil.com.br/equipe/alexandre-matos Alexandre Matos

      Então, pelo visto não foi o Rebney que fez as cagadas. O Kevin Kay disse que vai acabar com os torneios. Tá com cara de ter sido pressão da Spike TV essas mudanças de regra, o Rebney foi contra e acabou perdendo a queda de braço.

      • Diego Cavera

        Oh loko bicho haha, valeu pelo esclarecimento, mas fiquei um pé atras com essa mudança.

  • Rafa Friall

    O grande diferencial do Bellator eram os torneios, com eles lutadores sem nome viraram conhecidos. Eu sou um dos caras que amam o Bellator, acompanhei desde a 2° temporada e depois dessa noticia perdi uma boa parte do carinho que tinha pelo Bellator.

  • Manu

    Na minha opinião pessoal, eu acho que poderia substituir os torneios por um formato de casamentos de lutas, mas que seja de uma forma mais justa, como no Boxe. O Bellator poderia fazer um ranking e basear as disputas de cinturão sempre com o apoio do ranking. MMA e Boxe são diferentes, mas na Nobre Arte por exemplo, o cara que disputa o cinturão de campeão é o número 1 do ranking e desafiante obrigatório. O Bellator poderia fazer a mesma coisa.. Casar as lutas baseadas na posição do ranking e aquele que for o número 1, disputar o cinturão com o campeão, diferente do UFC onde o número 4 recebe um title shot, ao invés de ser colocado como número 1. Daria uma boa discussão :D

    • http://www.mmabrasil.com.br/equipe/alexandre-matos Alexandre Matos

      Tem vários no boxe que disputam cinturão sem ser o número 1 do ranking ou desafiante mandatório. Um campeão tem um tempo pra colocar o cinturão em jogo quando um desafiante mandatório é estipulado, mas ele pode enfrentar outro antes.

      • Manu

        Jura? Achei que ele só defendia o cinturão quando era contra o campeão de outra entidade. Eu nem sabia dessa rs

        • http://www.mmabrasil.com.br/equipe/alexandre-matos Alexandre Matos

          Nada, o Mayweather enfrentou o Marcos Maidana, mas poderia ter sido contra o Amir Khan, que não é desafiante mandatório nem detentor de cinturão. Aliás, tem chance de rolar Mayweather-Khan em setembro.

  • Daniel

    Fico preocupado, o Strikeforce tinha lutador bom pra cacete e era meio bagunçado.

    • http://www.mmabrasil.com.br/equipe/alexandre-matos Alexandre Matos

      Critério de disputa de cinturão do Strikeforce não era nenhuma maravilha.

      • http://www.mmabrasil.com.br/equipe/felipe-freitas Felipe Freitas

        Só no Strikeforce que Keith Jardine conseguiu disputar um cinturão quando tinha Ronaldo Jacaré na espera…

        • http://www.mmabrasil.com.br/equipe/alexandre-matos Alexandre Matos

          Evangelista Cyborg, Phil Baroni, Rodrigo Damm…

      • Daniel

        No UFC de vez enquanto há furada de filas, mas geralmente uma lógica, top10, top5, TE; no SF me parecia meio bagunçado. Agora se o Bellator perder os GP tenho receio que fique pior.
        Ainda há o agravante que o Bella tem um plantel inferior ao do SF.